Mentes Extraordinárias


A Engenharia do Improvável e a Geometria da Paixão
Ao Leitor: O Mapa das Mentes Extraordinárias
O que define uma Mente Extraordinária?
Não é um único feito, um golpe de genialidade isolado ou uma conquista singular. Descobrimos, ao longo de nossa jornada editorial, que a verdadeira excepcionalidade reside na coerência entre quatro dimensões distintas, porém inseparáveis: a jornada que molda o caráter, a filosofia que guia a mente, a disciplina que move a ação e o impacto que define o legado.
Para capturar a essência completa de cada coautor presente nesta obra, não nos contentamos com uma biografia linear. Fomos mais fundo. Estruturamos cada capítulo como um mergulho em quatro atos, permitindo ao leitor não apenas conhecer a história, mas dissecar o mecanismo por trás das realizações.


O Livro
Ao navegar por este livro, você encontrará cada perfil dividido da seguinte forma:
Trajetória
Aqui, estabelecemos a fundação. Esta seção é a bússola que nos situa, apresentando uma descrição pessoal e profissional que revela as origens, os valores absorvidos e os pontos de virada que forjaram a identidade do indivíduo. É o mapa de onde ele veio e quem ele se tornou.Pensar
Esta é a arquitetura da mente. Mergulhamos no mundo interno, explorando os modelos mentais, as crenças inegociáveis e a filosofia que serve como alicerce para todas as decisões. É aqui que entendemos por que eles fazem o que fazem.Agir
Se "Pensar" é a estratégia, "Agir" é a execução. Investigamos a ponte entre a ideia e a realidade: os hábitos, a gestão do risco, a tomada de decisão sob pressão e a disciplina diária que transforma visão em movimento concreto.Realizar
Este é o resultado, o impacto tangível no mundo. Analisamos as conquistas não como um ponto final, mas como a manifestação de tudo o que veio antes. É a prova viva do alinhamento entre sua trajetória, seu pensamento e suas ações, consolidando o seu legado.
Ao seguir esta estrutura, convidamos você a fazer mais do que admirar; convidamos você a compreender. Bem-vindo às Mentes Extraordinárias
A biografia de Helson Davi Barros não se desenha sobre uma linha reta, previsível e cartesiana, como sugeriria a sua formação acadêmica; ela se revela, antes, como um estudo sobre a superação das probabilidades através do movimento. Se a engenharia lhe ensinou a calcular estruturas e resistências, foi a vida — com suas variáveis incontroláveis — que lhe ensinou a arte da improvisação estratégica. O ponto de partida geográfico é Quebrangulo, em Alagoas, um cenário que, para muitos, ditaria um destino circunscrito às fronteiras do interior. No entanto, a mente de Helson operava, desde a infância, sob a lógica da expansão.
A sua movimentação inicial pelo mapa do Nordeste não foi errática; foi o que ele próprio define como uma "escadinha" calculada de ascensão. De Quebrangulo (AL) para Palmeira dos Índios (AL); de Palmeira para Maceió. Cada cidade não era um destino final, mas um degrau necessário para acumular a densidade crítica que lhe permitiria o salto maior. Quando o horizonte de Maceió se tornou estreito para a vastidão de suas ambições, o jovem Helson deparou-se com a primeira grande negociação de sua existência: o desejo de ir para o Recife contra a prudência econômica de uma família numerosa de onze irmãos, filhos de Luiz e Iracema. A solução encontrada não foi o confronto, mas a inteligência adaptativa. Ele não escolheu a Engenharia Mecânica apenas por vocação técnica, mas como o salvo-conduto diplomático que convenceria o patriarca a permitir sua migração para a capital pernambucana. Aos 17 anos, ele não estava apenas passando no vestibular; estava engenhando a sua própria liberdade.
Essa fase formativa, marcada por uma década de imersão universitária — graduando-se em Engenharia em 1968 e em Administração de Empresas em 1970, seguidas por pós-graduações —, forjou um profissional de rigor técnico absoluto. A sua atuação na Philips Eletrônica do Nordeste, onde ascendeu à gerência do Departamento Técnico de Eficiência e Organização, parecia selar o seu destino como um executivo de multinacional. Ali, a lógica imperava. Helson era o homem dos processos, da otimização, do método. Contudo, o destino, esse roteirista que despre
za a estabilidade, interveio sob a forma de uma crise mundial.
Em 1979, com a crise do petróleo abalando as estruturas corporativas, a promessa de uma transferência internacional foi quebrada. Helson, que havia preparado o seu substituto e estava pronto para o mundo, viu-se diante de uma proposta de retrocesso hierárquico. A recusa em aceitar a estagnação foi o primeiro grande indício de que o engenheiro habitava um espírito empreendedor que o crachá da multinacional não poderia conter. Ele saiu. E ao sair, descobriu que a segurança de um cargo é uma ilusão, mas a segurança na própria competência é um ativo inalienável.
O interlúdio que se seguiu, entre as fazendas da família e a construção civil, serviu como um laboratório de resiliência. A experiência com o plantio de mandioca em Pombos é emblemática não pelo produto, mas pela postura. Ao plantar duzentos hectares e ser reconhecido pelo fiscal do banco como o único a realmente aplicar o recurso na terra — num cenário onde o desvio era a norma —, Helson estabeleceu a sua assinatura moral: a integridade como ferramenta de gestão. Posteriormente, na construtora Condic, a sua habilidade financeira foi testada e aprovada, mas algo ainda faltava. A engenharia construía prédios, mas não edificava sonhos.
O verdadeiro ponto de inflexão, aquele momento em que a causalidade linear é rompida por uma força de outra natureza, havia ocorrido anos antes, em 1974. Foi o ano da primeira raquetada. Helson descreve esse instante com uma metáfora que transcende a física do esporte: a bola não atingiu o centro da raquete, nem foi para a frente ou para o lado; ela ficou alojada no "coração" do instrumento, simbolizando que, na verdade, havia entrado no seu próprio coração. Ali, o engenheiro encontrou a paixão. E, diferentemente dos cálculos estruturais, a paixão não pede licença; ela exige entrega.
Tornou-se um autodidata nas quadras, recusando a instrução formal inicial para preservar as amizades, uma decisão que revela a sua prioridade pelas relações humanas sobre a técnica pura. Mas a paixão pessoal logo se transmutou em um projeto de legado através da figura de seu filho, Davi. Acompanhar o desenvolvimento do filho, que despontou como um talento promissor chegando a número dois do país na categoria juvenil, não foi apenas um exercício de paternidade; foi o princípio de uma visão empresarial.
As viagens internacionais — oitenta países carimbados no passaporte — deixaram de ser turismo para se tornarem "congressos" informais. Enquanto outros viam jogos, Helson via estruturas, modelos de negócio, atmosferas. De Roland Garros a Wimbledon, cada Grand Slam visitado era uma peça no quebra-cabeça que ele montava mentalmente. Ele percebeu que o Recife, a cidade que ele conquistara com a engenharia, carecia de um espaço que refletisse a grandiosidade do tênis que ele testemunhava no mundo. Havia um vácuo no mercado e uma plenitude em sua vontade.
Foi então que a lógica do engenheiro e a alma do tenista convergiram para a decisão mais audaciosa de sua trajetória. Em 1986, contrariando a prudência conservadora que dita a manutenção de ativos seguros, ele liquidou sua participação na construtora para financiar duas obras: uma academia de tênis de classe mundial no Nordeste e um hotel.
Essas construções não se fizeram isoladas. A trajetória de Helson é indissociável da figura de Furtunata. Se ele era o motor da ousadia, ela era a bússola da estabilidade, a "Furtuna" que, num trocadilho que ele aprecia com reverência, gerou a verdadeira riqueza de sua vida. A família — Mônica, Davi, Cláudia, os genros Roberto Almeida (I.m) e Roberto Queiroz, as netas Camila, Bruna e Bianca, e o neto Henrique — não foi apenas espectadora, mas parte integrante da engrenagem. Helson não deixou essa integração ao acaso; com a visão estratégica de quem prepara o terreno antes da obra, ele redirecionou as carreiras das filhas — que tendiam inicialmente para a Psicologia e Administração — para o Turismo, qualificando-as tecnicamente para assumirem a gestão do novo negócio hoteleiro que ele havia erguido.
Olhando em retrospecto, a trajetória de Helson Davi Barros não é sobre tijolos, mandioca ou raquetes. É sobre a capacidade de um homem de se reinventar sem perder a essência. Do menino de Quebrangulo que sonhava com a cidade grande ao empresário que viaja o mundo com a esposa, o fio condutor é a fé e a recusa em aceitar o "não" das circunstâncias. Ele não se tornou um gigante do tênis nordestino porque jogava melhor que todos, mas porque entendeu, antes de qualquer um, que o esporte poderia ser um vetor de transformação social e familiar. A sua vida é a prova de que a engenharia mais complexa não é a que levanta edifícios, mas a que constrói um legado onde a comunidade, os colaboradores e a família habitam o mesmo espaço de sucesso. O sucesso, para ele, deixou de ser um cargo na Philips para se tornar a liberdade de ver um boleiro da comunidade transformar-se em um empresário e ser seu vizinho na Avenida Boa Viagem. A arquitetura do seu "Eu" foi projetada para que outros pudessem também construir os seus próprios andares.
2. Pensar: A Engenharia da Fé e a Lógica do Benefício Mútuo
Se a trajetória de Helson Davi Barros é marcada pelo movimento físico entre cidades e carreiras, a sua mente opera através de uma estabilidade surpreendente. Não se trata, contudo, de uma estagnação intelectual, mas de uma coerência inabalável de princípios. A mente deste engenheiro não descartou a lógica ao abraçar o esporte; ela apenas elevou a engenharia a um plano superior, onde os cálculos de resistência de materiais foram substituídos por cálculos de resistência humana e ética.
Para compreender o sistema operacional que rege as decisões de Helson, é necessário identificar a sua bússola primária. Diferentemente de muitos empresários que encontram o seu norte nos gráficos de lucro ou nas tendências de mercado, Helson ancora o seu pensamento num pilar metafísico: a fé. Mas não se engane o leitor cético; a sua fé não é um refúgio passivo ou uma desculpa para a inércia. É uma fé pragmática. Para ele, acreditar em Deus e "num mundo melhor" não é um ato de esperança vaga, mas um pré-requisito para a ação. É a convicção de que, se a intenção for genuína e o esforço for honesto, o resultado está, de alguma forma, garantido por uma instância superior. Essa crença elimina o ruído da dúvida existencial, permitindo que a sua mente foque inteiramente na execução.
Dessa base espiritual emerge o seu modelo mental mais sofisticado, uma ferramenta de gestão que ele aplica intuitivamente: a Triangulação do Benefício. Helson não avalia um negócio pela sua rentabilidade isolada. A sua mente projeta um tripé de sustentação para qualquer empreendimento: a Comunidade, os Colaboradores e os Clientes. Se a equação não fechar positivamente para uma dessas pontas, o projeto é descartado. É uma lógica anti-egoísta. Ele compreendeu, muito antes do termo ESG (Environmental, Social, and Governance) se tornar moda corporativa, que a longevidade de um negócio depende da saúde do ecossistema onde ele está inserido.
Ao analisar o Squash Tennis Center, por exemplo, ele não vê apenas quadras e locações. Ele vê a comunidade da Beira Rio, que fornece a mão de obra; vê os colaboradores, que encontram ali uma escola de cidadania e ascensão social; e vê os clientes, que financiam o ciclo. O seu pensamento é sistêmico. Ele é contra o egoísmo não por altruísmo ingênuo, mas por inteligência estratégica: "o que é bom para todos, pode ser bom para você também".
Essa mentalidade molda, inclusive, a sua relação com a criatividade e a pressão. Helson não é o tipo de líder que cria no caos ou no vácuo. As suas melhores ideias nascem sob o que ele denomina de "pressão positiva". É um conceito fascinante: ele interpreta a pressão não como um peso esmagador, mas como um "empurrão". Quando a circunstância aperta, a sua mente não trava; ela acelera. Ele sente que, se o pensamento é positivo e alinhado com seus valores, a pressão é apenas o sinal verde para avançar. É a engenharia aplicada à psicologia: transformar a força de compressão em força de propulsão.
Contudo, mesmo uma mente blindada pela fé precisa lidar com a incerteza inerente aos negócios e à vida. Aqui, o Helson engenheiro recorre a um algoritmo de serenidade. Diante do medo ou do fracasso, o seu diálogo interno é um exercício de separação de variáveis. Ele aplica, com rigor quase matemático, a sabedoria de distinguir o que pode ser mudado do que não pode. O que está ao seu alcance recebe energia total; o que não está, recebe aceitação. Não há desperdício de energia mental com o incontrolável. Isso confere-lhe uma leveza operacional rara em homens de negócios, permitindo que ele durma tranquilo enquanto outros são consumidos pela ansiedade.
A manutenção dessa máquina cognitiva exige, paradoxalmente, um momento de desligamento ativo. O seu hábito inegociável, o ritual que preserva a sua agilidade mental, é o jogo de gamão. Poderia parecer um mero passatempo, mas na arquitetura mental de Helson, é uma ferramenta de calibração. O gamão exige cálculo, estratégia e adaptação à sorte — exatamente como os negócios —, mas sem o custo real. É ali, movendo as peças no tabuleiro, que ele "alivia o cérebro" ao mesmo tempo que o mantém dinâmico. É o descanso do guerreiro que não abaixa a espada, apenas muda o campo de batalha para um tabuleiro de madeira.
Por fim, a sua visão de liderança é a síntese de todo esse pensamento. Para Helson, o líder não é o que está no topo da pirâmide, mas o que garante a estabilidade da base. "A liderança é feita com os outros e para os outros". Ele rejeita o solipsismo. O verdadeiro líder é aquele que encontra o equilíbrio fino entre fazer os outros felizes e fazer com que os outros aceitem as decisões difíceis. É uma liderança por consenso moral, não por imposição hierárquica.
Assim, o pensamento de Helson Davi Barros revela-se como uma estrutura onde a fé fornece o alicerce, a engenharia fornece o método e o humanismo fornece o propósito. Ele pensa o mundo não como um lugar de competição predatória, mas como um canteiro de obras coletivo, onde o sucesso de um só é validado se servir de argamassa para o sucesso de todos. É essa clareza mental, essa certeza de que está a construir algo "com qualidade", que prepara o terreno para a sua forma de agir: ousada, decisiva e transformadora.
3. Agir: A Ousadia Calculada e a Execução da Verdade
Se o pensamento de Helson Davi Barros é uma estrutura triangular de equilíbrio entre partes interessadas, o seu "Agir" é a força cinética que rompe a inércia. Não há, em sua metodologia, espaço para a hesitação do teórico. A transição entre a ideia e a realidade ocorre através de um vetor que ele mesmo define com uma única palavra: ousadia. No entanto, seria um erro grosseiro confundir a sua ousadia com a imprudência do jogador. A ação de Helson é a de um engenheiro que, antes de saltar, calculou a trajetória, a velocidade do vento e a resistência do solo. Ele não salta no escuro; ele salta na certeza do projeto.
A anatomia de suas decisões revela um padrão operacional distinto: a preparação exaustiva precedendo a ruptura radical. O episódio na Philips, ocorrido em 1979, serve como o estudo de caso primário dessa metodologia. A maioria dos profissionais agarra-se aos cargos como náufragos a tábuas; Helson, ao contrário, preparou o seu próprio substituto, tornando-se deliberadamente dispensável na função que ocupava. A sua ação não foi de autossabotagem, mas de autoconfiança extrema. Quando a promessa de ascensão internacional foi frustrada pela crise do petróleo, a sua resposta operacional não foi o orgulho ferido, mas a flexibilidade tática. Ele aceitou descer na hierarquia — de gerente para chefe — não por submissão, mas como uma manobra de recuo estratégico para ganhar impulso num novo salto. Quando a empresa falhou em cumprir a nova promessa, a execução foi cirúrgica: ele saiu. A lição cristalizada ali é que a ação deve ser fiel ao contrato, mas, acima de tudo, fiel ao próprio valor. Se o terreno não sustenta a planta, o agricultor muda de campo, não de natureza.
Essa fidelidade à execução manifestou-se com ainda mais clareza — e ironia — na sua incursão pelo agronegócio. Ao assumir a gestão das propriedades da família, Helson não se limitou a administrar o existente; ele decidiu industrializar a mandioca. O seu processo de "Agir" começa invariavelmente pelo estudo profundo. Ele não plantou uma única muda antes de viajar a Sergipe, visitar fábricas e frequentar conferências para entender a ciência da coisa. A execução foi tão rigorosa que gerou um dos momentos mais emblemáticos de sua carreira. Ao fiscalizar os duzentos hectares plantados, o agente do banco Bandepe confessou, atônito, que em vinte anos de profissão, Helson era o primeiro que, ao tomar o crédito, realmente plantara a mandioca. Num Brasil acostumado à simulação, Helson operava na Execução da Verdade. Para ele, o plano não é um documento burocrático para satisfazer credores; é um compromisso sagrado com a realidade. Mesmo quando a família decidiu abortar o projeto para focar na construção civil, a operação foi encerrada sem prejuízos, provando que uma execução técnica impecável protege o empreendedor até mesmo das mudanças de rota.
A metodologia que transforma as suas ideias em impérios físicos — seja um hotel, uma construtora ou uma academia de tênis — baseia-se num protocolo de escuta ativa. Helson não é o "xerife" solitário que dita ordens do alto de uma montanha. O seu primeiro passo na implementação de qualquer projeto é "procurar todos os envolvidos" e "ouvir de todos". Ele coleta as variáveis humanas com a mesma atenção que um engenheiro coleta dados do solo. Com a experiência acumulada, o projeto final nasce não da imposição de uma vontade, mas da síntese das inteligências disponíveis. É uma construção coletiva orquestrada por uma batuta firme.
Essa abordagem define a sua filosofia de liderança no dia a dia. Para Helson, o líder que age sozinho é um egoísta, e o egoísmo é a falha estrutural de qualquer gestão. A ação primordial da liderança é um ato de equilibrismo: fazer os outros felizes enquanto garante que eles aceitem as decisões necessárias. Ele lidera servindo, criando um ambiente onde a autoridade não precisa ser imposta porque é reconhecida como benéfica para o todo.
O teste supremo dessa capacidade de execução ocorreu na gênese do Squash Tennis Center. A decisão de vender sua parte na Construtora — um ativo imobiliário seguro e valioso — para investir na academia de tênis e no Hotel do Mar, não foi um movimento conservador. Foi um all-in. Enquanto os seus irmãos mantinham a prudência, Helson enxergou o futuro através da carreira do filho e da carência da cidade. Ele agiu contra a lógica do acúmulo passivo para abraçar a lógica do investimento ativo. A venda de sua parte na construtora não foi uma perda de patrimônio; foi a conversão de capital estático em capital dinâmico, transformando concreto em esporte, educação e legado. Essa aposta materializou-se numa infraestrutura sem precedentes na região: um complexo robusto que conta com nove quadras de tênis cobertas, duas de Squash e um espaço para tênis de mesa , consolidando-se como uma das maiores academias no Nordeste e provando que a sua execução estava à altura da grandiosidade do seu sonho.
Portanto, o "Agir" de Helson Barros é a expressão de uma coragem técnica. Ele não se lança aos desafios por adrenalina, mas por convicção. Ele estuda até que a dúvida se dissipe, ouve até que o consenso se forme e, então, executa com uma integridade que assusta os medíocres e inspira os competentes. Ele é o homem que planta a mandioca que prometeu plantar e constrói a quadra que prometeu construir, provando que, em sua biografia, a palavra dada é o material mais resistente de todos.
4. Realizar: A Colheita Humana e a Eternidade do Exemplo
A materialização da obra de Helson Davi Barros não se encontra, em última análise, na metragem quadrada das quadras que construiu, nem nos duzentos hectares de mandioca que um dia plantou. Se a sua mente engenhou uma lógica de benefício triangular e a sua ação executou manobras de ousadia calculada, o seu "Realizar" é a síntese viva onde essas forças convergem. O resultado final não é um patrimônio estático de concreto e investimentos, mas um organismo dinâmico de transformação humana. A sua maior construção não foi um edifício, mas uma linhagem — tanto biológica quanto profissional — que perpetua os seus valores.
Ao ser confrontado com a definição do seu legado, Helson rejeita a vaidade dos troféus solitários. A sua realização é medida por uma métrica de impacto social que transcende o balanço financeiro. O Squash Tennis Center, mais do que uma academia de tênis de referência, operou como um elevador social silencioso e potente. A prova cabal do seu sucesso não está pendurada na parede do seu escritório; ela mora na casa ao lado.
A história do boleiro — o apanhador de bolas — que começou aos dez anos no clube e hoje, aos cinquenta, é um empresário vizinho de Helson na prestigiada Avenida Boa Viagem, é o monumento definitivo de sua trajetória. Helson não deu apenas um emprego a esse menino; ele forneceu a estrutura, o exemplo e a oportunidade para que o talento rompesse as barreiras da desigualdade. Ver aquele que começou na base da pirâmide ascender ao topo e tornar-se um par, um vizinho, provoca uma reação física, um arrepio que nenhuma planilha de lucros jamais poderia causar. É a validação absoluta da sua tese de que o crescimento deve ser coletivo.
O mesmo se aplica ao ex-colaborador que migrou para a Itália, casou-se, especializou-se e, anos depois, recebeu Helson em Turim não como um antigo patrão, mas como um convidado de honra, por ocasião do ATP Finals — torneio que coroa os melhores tenistas da temporada mundial —, apresentando-lhe ao dono do hotel onde se hospedava e ao dono do restaurante onde se encontraram, ambos seus alunos. Essas narrativas não são notas de rodapé; são o texto principal do seu legado. Helson realizou o improvável: transformou a relação capital-trabalho numa relação de fomento mútuo e dignidade. Ele provou que um empreendimento pode ser, simultaneamente, uma máquina de eficiência e uma escola de vida. O seu impacto reverbera nos mais de mil profissionais que passaram pela sua tutela e hoje atuam no Brasil e no mundo, carregando no DNA profissional a marca da exigência e da ética que aprenderam no Recife.
No âmbito pessoal, a sua realização assume uma forma ainda mais sagrada. O sucesso, na acepção final de Helson, é a indissolubilidade do núcleo familiar. Manter a família unida, trabalhando em sintonia e partilhando o mesmo propósito ao longo de quatro décadas, é o seu maior troféu. A transição de pai para patriarca e mentor dos filhos não foi um processo de imposição, mas de inspiração. Ver o filho Davi e as filhas Mônica e Cláudia integrados e realizados dentro do ecossistema que ele criou é a prova de que a sua liderança foi exercida com sabedoria, não apenas com autoridade. Mônica, em particular, personifica essa aliança entre competência e propósito: acompanhando o pai na administração do negócio familiar desde os dezesseis anos, ela não apenas absorveu a cultura empresarial, mas expandiu o seu alcance humanitário ao capitanear a ONG Saque para a Vida. Com a missão de utilizar os esportes de raquete como ferramentas de transformação social, a organização promove o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes por meio da educação, cidadania e valores humanos, provando que a eficiência de Helson gerou frutos de solidariedade. Ele construiu um império onde o afeto é a argamassa que impede as rachaduras.
Essa herança de paixão e excelência transcende os filhos e já frutifica vigorosamente na terceira geração, personificada em seu neto, Henrique. O jovem, que praticamente nasceu na quadra e empunhou a primeira raquete aos três anos de idade, inspirado pelo tio Davi — o primeiro pernambucano a pontuar na ATP —, é a prova viva de que o tênis nessa família é mais que um esporte; é um destino compartilhado. Hoje, treinando em São Paulo e figurando entre os 300 melhores tenistas juvenis do mundo, Henrique projeta levar o legado do avô aos palcos dos Grand Slams e ao top 100 mundial. Se Helson vislumbrou o tênis como negócio, Davi como profissão e Mônica como transformação social, Henrique materializa o sonho da alta performance global, fechando um ciclo onde a visão do avô se tornou o solo fértil para a glória do neto.
A consagração definitiva dessa trajetória de pertencimento ocorreu em 2018, quando Helson recebeu o Título de Cidadão do Recife. A honraria não foi apenas um protocolo legislativo, mas o reconhecimento oficial de que o alagoano de Quebrangulo, ao transformar o cenário esportivo e social da capital, tornou-se, de fato e de direito, um filho da terra que escolheu para plantar suas raízes e seus sonhos.
A projeção de futuro para uma mente que atravessa a oitava década de vida não é, surpreendentemente, de repouso absoluto. Helson não encara o amanhã como um tempo de aposentadoria passiva, mas como a fase da "fruição ativa". O que o move agora é a capacidade de usufruir da colheita. Mas usufruir, no seu dicionário, não significa parar; significa continuar a fazer, mas com a liberdade de quem já provou o que tinha para provar. O desafio que o mantém acordado e entusiasmado é a manutenção da excelência. A sua resposta à pergunta sobre o funcionamento de sua mente extraordinária é simples e devastadora: "Fazer de tudo o melhor, com qualidade". Não há prazo de validade para a excelência. Enquanto houver um projeto a ser tocado ou uma partida de tênis a ser jogada — e ele ainda é campeão em torneios internacionais de veteranos —, a exigência pela qualidade máxima será o seu imperativo categórico.
Em última análise, a biografia de Helson Davi Barros encerra-se numa nota de profunda gratidão e reconhecimento à sua parceira de vida, Furtunata. A referência ao nome da esposa não é apenas um jogo de palavras afetuoso; é a admissão de que toda a sua fortuna — material, emocional e espiritual — deriva dessa aliança. Essa simbiose é tão vital que transcendeu a vivência para se tornar literatura: Helson está redigindo as memórias dessas jornadas no livro "Viajando com Furtuna", documentando não apenas os oitenta países visitados, mas a companhia que deu sentido a cada quilômetro percorrido. Ele é o engenheiro que calculou as estruturas, mas ela foi o solo firme onde as fundações puderam ser cravadas.
Helson deixa para o mundo e para o Recife não apenas um complexo esportivo, mas um modelo de existência. Ele ensinou que é possível sair do interior sem tirar o interior de dentro de si; que é possível ser um empresário voraz sem perder a humanidade; e que a fé, quando aliada à competência técnica, é uma força indomável. O seu legado é a certeza de que a vida não é um jogo de soma zero, onde para um ganhar o outro tem de perder. Na quadra da vida de Helson Barros, o saque mais perfeito foi aquele que permitiu que todos ao seu redor também marcassem pontos. E essa é, sem dúvida, a vitória que o torna verdadeiramente imortal na memória daqueles que tiveram o privilégio de cruzar o seu caminho.
Helson Barros